por Andres Viriato (*) Uma pergunta que sempre se lançava, mesmo antes da morte do senador Antônio Carlos Magalhães, era quem seria seu herdeiro político, a quem caberia o espólio do carlismo, sempre forte e quase onipresente no cenário político baiano.
Atribuía-se a Luís Eduardo, quando vivo e deputado de livre trânsito no Congresso Nacional, a tão ambicionada condição de herdeiro natural, e aí registrava-se o primeiro equívoco: Luís Eduardo, conciliador, democrata e moderado, não tinha aptidões para o mandonismo coronelesco, a imposição de decisões, o recurso da injúria nos debates mais ferrenhos e a centralização do poder a qualquer custo, principais características do estilo carlista.
Com a morte do deputado Luís Eduardo, os cacifes políticos se voltaram para o então competente (e obediente) técnico Paulo Souto, cujos governos conquistaram, espontaneamente, grande fatia de prefeitos e da população interioranos.
Veio o primeiro sinal de "racha", quando Souto demorou-se a confirmar o nome de Luís Eduardo como candidato a governador (1998), o que veio a acontecer (para muitos tardiamente) numa entrevista à Rádio Subaé, de Feira de Santana, e o segundo sinal, quando Souto, ignorando a orientação de seu chefe político, impôs o deputado Clóvis Ferraz, seu candidato, na presidência da Assembléia Legislativa. O terceiro, mais recente, veio através do deputado José Carlos Aleluia, aliado de Souto, que impôs o nome do ex-governador, com seu consentimento, para presidir o DEM baiano. Enfraquecido, ACM capitulou, deixando o partido nas mãos de um pequeno grupo comandado por Paulo Souto.
Com a ascensão do deputado ACM Neto, de reconhecido valor como debatedor e articulador político, os cacifes tentaram apostar em seu nome como herdeiro do carlismo, o que dispensa comentários, pois o neto nada tem que o identifique com o estilo do avô. Em verdade, o carlismo, um estilo próprio, pessoal de fazer política, foi para o túmulo sem qualquer possibilidade de ressurreição. Assim como não há soutismo nem wagnerismo nem seja lá que ismo se cogite, pois a Bahia não tem um nome capaz de arregimentar uma horda tão significante quanto ACM o fez.
A verdade é que a Bahia não tem hoje um líder político. O PT, que está no poder há seis meses, já mostrou que não vai renegar sua história natural: governa mal, não tem liderança e é tão fragmentado quanto um picadinho de palmito enlatado. O PMDB tem o ministro Geddel, esperto e carreirista mas que não tem as qualidades de um líder nem consegue ser simpático ao eleitor. Na Prefeitura, de onde poderia emergir uma significativa liderança, temos um fracasso político-administrativo que todos nós, de Salvador, conhecemos. Enfim, vamos levar ainda muito tempo para ver a fumaça branca subir pela chaminé do status quo político da Bahia. (*) Andres Viriato é jornalista e escreve neste espaço todas as quartas-feiras.

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